Pulse

Temos aqui duas histórias paralelas que convergem no final.
Na primeira, Taguchi, um colega de trabalho das garotas Junko e Michi, se suicida sem motivo aparente e, abaladas, as duas amigas decidem investigar o ocorrido.
Enquanto isso, na segunda história, Kawashima, um garoto que não entende nada de computação, procura solucionar o mistério que ronda seu computador, que passa a se conectar sozinho à internet e exibir imagens assustadoras. Para isso, Kawashima conta a ajuda da programadora Harue.

DIREÇÃO DURAÇÃO gênero LEGENDA ano TÍTULO PAÍS ONLINE
Kiyoshi Kurosawa 114 min. terror português 2001 Kairo Japão sim

Antes de tudo, devo avisar que Pulse é um mind blown — ou seja, vai dar um nó na sua cabeça.
Apesar de achá-lo um pouco complexo e continuar refletindo sobre depois do final — ou mesmo assistir pela segunda vez, que foi meu caso —, está entre meus filmes de terror favoritos.

Antes de publicar este post, dei uma lida em outros artigos e blogs sobre ele. Curiosamente, cada pessoa entendeu o filme de um jeito. Minha impressão é de que isso se deve à falta de uma explicação clara, intencional ou não.


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Como você pode ver no slide, o filme todo tem um tom escuro, sombrio e soturno, o quê, por si só, já nos causa uma certa agonia.

Há quem ache que o pano de fundo é a conexão entre solidão e vida online. Não sei se concordo com isso. Basta lembrar que em 2001, ano em que foi lançado, na maior parte dos países os chats estavam em seus primórdios, a conexão era discada e compartilhar fotos exigia um scanner e levava um tempão para o destinatário carregá-la. E isso fica claro quando Kawashima diz à Harue que não gosta muito de internet, e não entende nada de computação (hoje uma criança de 3 anos baixa joguinho da internet no tablet com maestria). Isso sem falar que ele estava instalando seu discador com um CD. Hoje, tal método de acesso é considerado pré-histórico.

Kairo fala sim da conexão entre solidão e internet. E é ai que reside o terror. Para ficar mais agoniado ainda, preste atenção máxima aos diálogos, nas cenas, nos personagens.
Pode-se notar que os cenários — do trabalho, laboratório de informática, casa dos personagens — são abarrotados de itens, móveis, carteiras quebradas, computadores, bagunça. Não tem uma cena que seja clean. Isso chega a ser meio claustrofóbico e agoniante, aumentando nossa apreensão, pois não sabemos se um fantasma ou algo do tipo está escondido entre todos os itens na cena e aparecerá de uma hora pra outra. O suspense é grande.

Falando em se atentar aos personagens, suas características e personalidades não são desenvolvidas. Talvez tenham sido criados de forma aleatória, simplesmente para representar as pessoas no geral. Tanto que, na primeira vez em que o assisti, confundi as três meninas o tempo todo — Harue, Michi e Junko. Principalmente as duas últimas, melhores amigas. Elas apresentam os estilos de se vestir e os cortes de cabelo muito parecidos. Isso me deixou bem perdida.

PULSE, remake americano de 2006, com Ian Somerhalder e Kristen Bell. Eu não o vi, mas quem o assistiu disse que é muito mais claro que Kairo.
Kairo “ganhou” um remake (pra variar…) em 2006, com Ian Somerhalder (The Vampire Diaries) e a Kristen Bell (…🎶 Do you want to build a snowmaaan? 🎶). A direção é de Jim Sonzero. (Não sei você, mas nunca ouvir falar nele hehe 😁).

Curiosidade: na cena da foto principal – no topo do post, Harue e Kawashima estão numa sala e, logo atrás deles, há uma parede toda rabiscada em japonês: a palavra é “SOCORRO”.

Pontos interessantes e algumas dúvidas (com spoilers):

cinesakura_cinema_spoiler • As salas vedadas com a fita vermelha teriam sido transformadas em um portal do além para o mundo ‘dos vivos’?
• Vemos diversos suicídios, mas as pessoas que passam pelo portal (fita vermelha) ficam deprimidos e simplesmente se desintegram.
• Há um diálogo em que alguém diz que o mundo das almas tem uma capacidade limitada de fantasmas, por isso, estes não matam pessoas, pois haveria muito mais fantasmas. Os que não têm lugar, ficam presos em algo como ‘limbo’, eternamente sofrendo de solidão. Por isso, os personagens ouvem os espíritos pedindo por socorro.
• A cena que mais me deu medo foi quando alguém (não sei o nome) entra na ‘sala proibida’, com a fita vermelha: a pessoa se esconde abaixada, apavorada atrás de uma cômoda para se proteger contra o fantasma que se aproxima… Quando ele olha por baixo do móvel e não vê mais os pés do espirito, achando que ele foi embora, olha para cima: ele vê surgir as mãos e a cabeça da entidade. Quase tive um treco. Aliás, é a cena em que a fantasma escorrega e quase cai. Apesar dessa cena ser a mais assustadora pra mim, acabou que eu dei risada no momento em que ela perde o equilíbrio.
• O final apocalíptico, que explica o sumiço das pessoas e os suicídios, é a cereja do bolo.
Genial.

Um dos melhores momentos do filme é o final, quando o mistério dos suicídios é solucionado.

Bem, confesso que na primeira vez que o assisti, fiquei cheia de dúvidas, e, por isso, não gostei muito. Depois de ler outros sites e comentários sobre Pulse, resolvi dar mais uma chance a ele. E acabei adorando.

Se você gosta de filmes de terror com fantasmas, espíritos e entidades em geral, assista.
E, se gosta dos clássicos de terror asiáticos, esse filme foi feito pra você.
Recomendo sem sombra de dúvida.

Avaliação: Excelente

excelente


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5 opiniões sobre “Pulse”

  1. Olá. Gostei muito do seu site. Bastante agradável e com excelentes dicas. Sobre o filme, é a segunda obra do diretor Kiyoshi Kurosawa à qual assisto (a primeira foi “Real”).
    Sobre o enredo de Pulse: achei o filme fraco e confuso, de fato, é mais suspense do que terror. Koyuki (que aqui faz o papel de Harue) é uma excelente atriz (confira o hollywoodiano “O Último Samurai”), logo, acho que ela deveria ter feito o papel de Michi. Falo isso, pois faltou a Kumiko Aso (atriz que faz a Michi) passar tensão nas cenas de suspense, o que acabou não ajudando a um bom aproveitamento do filme por este ter um enredo sem muitas explicações.
    Enfim, se você curte o gênero terror ou suspense, indicarei alguns excelentes filmes japoneses:
    – Confessions (Confissões);
    – Real;
    – Audition (O Teste Decisivo ou A Audição);
    – Fatal Frame.
    Observações:
    “Confessions” é bastante forte, pois é um drama psicológico com muito suspense e um pouco de terror. Mana Ashida está no elenco.

    “Real” não é terror, porém uma mistura de suspense e ficção científica.
    A direção, já mencionada, é de Kiyoshi Kurosawa (espere novamente por um mind blow) e conta com os excelentes Haruka Ayase (Cyborg She) e Takeru Satoh (Samurai X) como protagonistas.

    “Audition” é uma obra do insano diretor Takashi Miike. O filme é para poucas pessoas. Se você se assustou com Pulse, recomendo ir com muita cautela (muita mesmo) se quiser conferir esse aqui. A atriz Eihi Shiina desempenha brilhantemente seu papel como antagonista.

    “Fatal Frame” é um live baseado em um livro, que, por sua vez, é baseado em um jogo de videogame. O filme é mais leve que Pulse, sendo mais um drama com toques de suspense, bastante interessante de assistir.

    Ficam aí as dicas. Continue com o excelente trabalho!

    Curtir

    1. Oi MrM!!
      Eu assisti a esses filmes, com exceção do Real… e fiquei bem curiosa.
      Eu adorei o Fatal Frame!
      Achei Confessions muito bom, terror psicológico de primeira!
      Já Audition tem umas cenas bem pesadas e é muito bom também.
      Vou atrás do Real! Agradeço a dica!
      Obrigada pela sua mensagem!
      =D
      Beijos!

      Curtir

  2. Olá. Gostei muito do seu site. Bastante agradável e com excelentes dicas. Sobre o filme, é a segunda obra do diretor Kiyoshi Kurosawa à qual assisto (a primeira foi “Real”).
    Sobre o enredo de Pulse: achei o filme fraco e confuso, de fato, é mais suspense do que terror. Koyuki (que aqui faz o papel de Harue) é uma excelente atriz (confira o hollywoodiano “O Último Samurai”), logo, acho que ela deveria ter feito o papel de Michi. Falo isso, pois faltou a Kumiko Aso (atriz que faz a Michi) passar tensão nas cenas de suspense, o que acabou não ajudando a um bom aproveitamento do filme por este ter um enredo sem muitas explicações.
    Enfim, se você curte o gênero terror ou suspense, indicarei alguns excelentes filmes japoneses:
    – Confessions (Confissões);
    – Real;
    – Audition (O Teste Decisivo ou A Audição);
    – Fatal Frame.
    Observações:
    “Confessions” é bastante forte, pois é um drama psicológico com muito suspense e um pouco de terror. Mana Ashida está no elenco.

    “Real” não é terror, porém uma mistura de suspense e ficção científica.
    A direção, já mencionada, é de Kiyoshi Kurosawa (espere novamente por um mind blow) e conta com os excelentes Haruka Ayase (Cyborg She) e Takeru Satoh (Samurai X) como protagonistas.

    “Audition” é uma obra do insano diretor Takashi Miike. O filme é para poucas pessoas. Se você se assustou com Pulse, recomendo ir com muita cautela (muita mesmo) se quiser conferir esse aqui. A atriz Eihi Shiina desempenha brilhantemente seu papel como antagonista.

    “Fatal Frame” é um live baseado em um livro, que, por sua vez, é baseado em um jogo de videogame. O filme é mais leve que Pulse, sendo mais um drama com toques de suspense, bastante interessante de assistir.

    Ficam aí as dicas. Continue com o excelente trabalho!

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